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É preciso coordenar a produção de eletricidade?

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17.02.2026

Engenheiro, foi professor da Coppe-UFRJ e dirigente de ANA, Aneel, Light, Enersul e Sabesp

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É preciso coordenar a produção de eletricidade?

Estudo aponta ganho de R$ 12,6 bilhões ao ano com atuação do ONS

Operador é o 'maestro', que coordena os 'músicos', que são os agentes geradores e os transmissores

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O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) é uma instituição privada de alta capacitação técnica, sustentada pelas empresas do setor elétrico. Sua missão é equilibrar, a cada instante, a oferta e a demanda de energia elétrica em todos os pontos do SIN (Sistema Interligado Nacional).

Em diversos países existem instituições com funções semelhantes. Algumas são proprietárias das linhas de transmissão e subestações em alta-tensão que compõem o sistema; outras, como o ONS, apenas coordenam a atuação conjunta desses ativos com as usinas geradoras.

O SIN pode ser comparado a uma orquestra, formada por milhares de "músicos" —os agentes geradores e transmissores— e um "maestro": o ONS. Para quem não conhece a arte de reger, o maestro pode parecer irrelevante.

Da mesma forma, quem desconhece o funcionamento do setor elétrico tende a subestimar a importância de instituições como o ONS. Por isso, em alguns países foram realizados estudos para quantificar a real contribuição do "maestro" para o sucesso da "orquestra".

No Brasil, o ONS desenvolveu, com consultoria da PSR (Power Systems Research), um estudo financiado pelo Banco Mundial para mensurar, de forma transparente, os benefícios que a coordenação centralizada do ONS gera para a sociedade.

A metodologia compara dois cenários: o real, que representa a operação efetivamente conduzida pelo ONS, e o contrafactual, que simula o funcionamento do sistema sem coordenação centralizada. Essa análise permite isolar o mérito do operador, identificando ganhos de eficiência, segurança e uso otimizado dos recursos.

O estudo avaliou cinco atividades centrais da coordenação do ONS. Para cada uma delas, calculou a diferença entre o custo do cenário "sem ONS" (maior) e o custo do cenário "com ONS" (menor). A soma dessas diferenças resultou no chamado "valor do ONS": R$ 12,6 bilhões por ano. É uma quantia muitíssimo maior do que o orçamento anual da instituição.

Metade desse valor provém de apenas uma das cinco atividades: a coordenação da cascata de usinas hidrelétricas de uma bacia hidrográfica. Quando a usina A gera energia, aumenta a disponibilidade hídrica da usina B, localizada a jusante.

Assim, a capacidade de produção de cada usina depende das decisões das que lhe ficam a montante. Isso não seria um problema se todas as usinas de uma cascata pertencessem a uma única empresa. Mas não é assim.

A interdependência operativa entre diferentes usinas de diferentes empresas é uma característica do SIN. Trata-se de um problema inexistente na maioria dos países, que, em geral, produzem eletricidade queimando combustíveis fósseis.

O ONS tem a responsabilidade de definir quando e quanto cada usina deve gerar de forma a minimizar os custos para a sociedade. Discute-se a substituição desse processo decisório —modelo de otimização para minimizar o custo global— por um outro, chamado de "oferta de preços", adotado na maioria dos países, em que cada dono de usina decide quando e quanto produzir.

A discussão do tema não caberia neste espaço. Porém, o estudo aqui descrito sugere que alguma coordenação na escala da bacia hidrográfica, de preferência feita pelas próprias usinas da bacia, deve sempre existir, mesmo que se adote a "oferta de preços".

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