Caso Pedro e Jordana do BBB: não é mal-entendido; é importunação sexual
Escrita por Carol Tilkian, psicanalista, pesquisadora de relacionamentos e palestrante. Fundadora do podcast e do canal Amores Possíveis e professora da Casa do Saber
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Um homem conhecido oferece ajuda para uma tarefa simples e, ao se aproximar, ultrapassa seus limites: encurrala seu corpo, segura seu pescoço e tenta te beijar sem consentimento. Você se afasta, pergunta o que ele está fazendo e escuta: "estou fazendo o que estou com vontade de fazer… achei que tinha me dado moral, entendi errado".
A cena flagrada no BBB 26 —a casa mais vigiada do país— retrata um crime de importunação sexual cometido por Pedro contra Jordana e, infelizmente, funciona como espelho de inúmeras situações de violência vividas por mulheres fora das câmeras. Situações que, não raro, assim como Jordana, hesitamos em nomear como violência e que nos levam a inverter a lógica da responsabilidade: antes de interrogar o gesto do outro, interrogamos a nós mesmas: será que fui simpática demais? Será que dei sinais confusos? Será que estou exagerando? Afinal, ele não chegou a… será?
Essa dúvida não se dá apenas porque não temos testemunhas, mas porque fomos socializados para relativizar e naturalizar violências masculinas na mesma medida em que fomos educadas a flexibilizar o próprio desconforto, a preservar o vínculo mesmo quando algo em nós se contrai, a compreender o outro antes de sustentar a própria experiência. Aprendemos cedo a desconfiar daquilo que sentimos para proteger a imagem alheia e, muitas vezes, para também evitar a vergonha, o julgamento ou a incredulidade.
Não por acaso, a subnotificação da violência sexual no Brasil segue alarmante. Segundo a pesquisa Visível e Invisível: a Vitimização Mulheres no Brasil realizada pelo Fórum de segurança pública em 2025 quase metade das vítimas —47,4% delas ( cerca de 11 milhões de........
