A gente se ama mas ele se afasta quando sua vida desorganiza. O que eu faço?
Escrita por Carol Tilkian, psicanalista, pesquisadora de relacionamentos e palestrante. Fundadora do podcast e do canal Amores Possíveis e professora da Casa do Saber
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Como sustentar uma relação se todo sofrimento do outro afasta o vínculo numa tentativa de poupá-lo mas, paradoxalmente, mais fere do que protege? A pergunta da leitora vem acompanhada de um relato pessoal que revela uma dinâmica tão universal quanto corrosiva: ela está numa relação em que há amor, afeto e compatibilidade, mas em todos os momentos difíceis da vida de seu parceiro que envolvem outras instâncias —dificuldades profissionais, problemas financeiros, conflitos familiares ou episódios depressivos— ele pede um tempo.
O argumento se repete: diz não ter estabilidade emocional para sustentar a relação naquele momento, afirma não querer ser um peso, diz não se sentir suficiente e insiste que não consegue oferecer o que ela "merece".
Tomado pela autopercepção de fracasso (no caso dele, há anos tentando passar em concursos públicos e acumulando reprovações), a proximidade com alguém que ama e admira intensifica sentimentos de inadequação, impotência e insegurança.
"Não quero ter mais problemas" ou "não dou conta de mais problemas" —de ter ou de ser problema no vínculo afetivo— aparece como desejo de autoproteção e tentativa de preservação do vínculo mas o afastamento produz um espelhamento de insuficiência: eu me afasto porque me........
