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PF investiga policiais em esquema que usava 'clones' para fraudar concursos

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18.03.2026

PF investiga policiais em esquema que usava 'clones' para fraudar concursos

A PF (Polícia Federal) investiga uma organização criminosa que teria participação e até liderança de policiais para fraudar concursos públicos pelo país. Um dos métodos da fraude era o uso de "clones" —pessoas que utilizavam documentos falsos para realizar provas.

Nesta terça-feira (17), a operação Concorrência Simulada cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em Alagoas, Paraíba e Pernambuco. As ordens, que incluem também quebra de sigilo telefônico, foram dadas pelo juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal da Paraíba.

O UOL teve acesso à decisão, e o documento mostra a presença de policiais nesse novo grupo investigado: dos 13 mandados, seis são contra policiais, sendo dois deles delegados — um deles o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier.

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A operação de terça aprofunda as investigações a partir da análise do material apreendido na operação Última Fase, em outubro de 2025, que revelou a existência de novos integrantes da organização criminosa, além de possíveis beneficiários do esquema.

As fraudes seriam comandadas por um núcleo em Patos (PB) e envolveriam certames como o CNU (Concurso Público Nacional Unificado) de 2024, além de outros concursos de bancos, prefeituras, tribunais, universidades e polícias Civis e Militares.

Uma das modalidades citadas pela PF é o uso de um "clone", que eram pessoas com maior conhecimento técnico contratadas para realizar o exame no lugar dos inscritos.

O esquema, segundo a PF, envolvia a falsificação de documentos de identidade, em que a foto do verdadeiro candidato era substituída pela do "clone", que era quem fazia a prova.

Esse método foi apontado em pelo menos dois casos envolvendo a aprovação do irmão do delegado-geral nos concursos do Banco do Brasil e da Prefeitura de Arapiraca.

Segundo a PF, a organização criminosa providenciava documentos de identificação, como a Carteira Nacional de Habilitação, em nome do candidato que deveria ser aprovado, mas com a fotografia do "clone".

Um desses "clones" chegou a ser preso em flagrante durante as provas de um concurso para o Tribunal de Contas de Pernambuco e já era servidor de uma universidade pública.

Outros dois tipos de fraudes

A organização criminosa, diz a PF, contava também com a colaboração de pessoas infiltradas nas bancas organizadoras. Um dos principais envolvidos, identificado como "Mister M", atuava como coordenador de local de aplicação e utilizava sua função para romper os lacres dos malotes de provas, fotografá-las e depois repô-los, afirmando que o lacre era "fácil demais" de manipular.

Isso permitia que o grupo tivesse as questões em mãos várias horas antes do início oficial dos certames, como ocorreu nos concursos da Caixa, Banco do Brasil e Banco do Nordeste.

Outro método identificado era o uso de comunicação externa durante a aplicação da prova. Segundo a PF, integrantes do grupo entravam nas salas apenas para fotografar as provas e enviá-las ao restante da organização.

Com as imagens, especialistas resolviam as questões e repassavam os gabaritos aos candidatos beneficiados.

Gustavo Xavier, delegado-geral em Alagoas, foi citado em colaboração premiada de Thyago José de Andrade, que afirmou que ele passou a exercer poder de comando na organização ao coagir integrantes, mediante ameaças, a realizar fraudes em benefício de seus aliados.

Em outubro, o UOL contou que Thyago seria um dos líderes do grupo. Em diálogo citado na reportagem, ele afirma que uma advogada estava dentro da sala do concurso e que as respostas seriam "repassadas no banheiro". Ele explicou que, "pegando essa advogada, ele garante" o sucesso da prova, mas seria necessário o envio de R$ 1.000 por Pix para assegurar a ajuda.

Segundo o Ministério Público Federal, o delegado-geral alagoano teria passado a "direcionar o trabalho do grupo" para pessoas de seu círculo íntimo.

Gustavo é suspeito de ter determinado fraudes para aprovar sua esposa no CNU 2024 para o cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho, e seu irmão aprovado em concursos do Banco do Brasil (2023) e da Prefeitura de Arapiraca.

Além deles, a esposa de seu "braço direito", o policial civil Eudson Matos, também teria sido aprovada na Polícia Científica de Alagoas por determinação de Xavier.

Eudson está detido na Central de Flagrantes de Maceió, onde o mandado de busca foi cumprido na terça. Ele teve prisão decretada em abril pela Vara Criminal de Várzea Grande (MT), acusado de tentativa de assassinato do empresário Adriano César Barreto. Também responde a uma acusação de assassinato em Alagoas.

Outro ponto citado é que Gustavo é apontado como o responsável por mandar avisar o colaborador Thyago sobre o cumprimento de mandados judiciais da Polícia Federal cerca de 15 dias antes da deflagração de uma fase da operação. O aviso teria sido repassado por intermédio de Ramon Izidoro, policial civil e atual vereador de Arapiraca.

Outro delegado citado e alvo da operação é Diogo Gonçalves Bem, da Polícia Civil de Pernambuco, suspeito de ter financiado a fraude para beneficiar sua esposa no CNU 2024. Ela foi aprovada em primeiro lugar na primeira fase do concurso para o cargo de Auditor-Fiscal do Trabalho.

A PF apontou que ela obteve notas baixas na fase seguinte do concurso — o que, segundo os investigadores, evidenciaria seu despreparo e tornaria inverossímil a obtenção da melhor nota na fase inicial sem auxílio da fraude.

Os investigados da operação, diz a PF, poderão responder pelos crimes de fraude em concurso público, concussão, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A PF pediu a prisão preventiva dos suspeitos na operação de terça, mas o juiz alegou que, "embora existam indícios do cometimento por parte dos investigados (...) não se pode afirmar o nível de participação de todos".

"A atuação em posição proeminente de alguns dos requeridos precisa ser mais bem delineada, o que certamente ocorrerá quando as medidas cautelares aqui deferidas — ou pelo menos parte delas — forem efetivadas", afirmou.

A coluna fez contato com as assessorias da Polícia Civil de Alagoas e de Pernambuco, perguntando se os delegados citados gostariam de se pronunciar para se defender das suspeitas. A matéria será atualizada em caso de retorno.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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