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O que Neymar, as demissões surpresa e a porradaria mineira têm em comum

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O que Neymar, as demissões surpresa e a porradaria mineira têm em comum

Na última semana, o futebol brasileiro desafiou até os mais descrentes. Nem vou falar dos casos de violência contra a mulher, porque sinceramente não aguento mais. Prometo me ater aqui aos seguintes episódios: a ausência de Neymar da partida em que seria observado por Ancelotti, a porradaria na final do Mineiro, e as demissões de Filipe Luís e Hernán Crespo.

O que estes episódios lunáticos têm em comum? De maneira bem simplificada, a falta de habilidade de homens privilegiados em lidar com a frustração. O menino mimado que, sem conseguir de imediato aquilo que queria, decide reagir de maneira desproporcional. O brinquedo não está funcionando como eu gostaria? Então vou jogar no chão e pedir para minha mãe comprar outro.

O Flamengo, com Filipe Luís, ganhou tudo o que poderia ganhar em 2025. Só perdeu o Intercontinental, nos pênaltis, para o PSG. Uma temporada dos sonhos. Um mês e meio de tropeços foi o suficiente para determinar o fim da linha para o jovem treinador. Uma demissão na madrugada, pós 8 a 0, sem direito a uma fala do presidente. Aparentemente, Bap não gostava muito de Filipe. Disse em áudio vazado que o considerava um trem errado, do qual precisava desembarcar na primeira estação. Sem saber lidar com meia-dúzia de derrotas e com alguém que não adora, optou por romper o contrato firmado dois meses antes e mandar tudo para o espaço. Volto a dizer, sem nenhum pronunciamento público.

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Pelo que sabemos, Hernán Crespo também não era adorado pelo departamento de futebol do São Paulo, e talvez por alguns atletas. A chefia também não gostava de ele continuar dizendo que o time ainda tinha um duro caminho de recuperação pela frente. Incapazes de sentar para alinhar o planejamento e o discurso, romperam um contrato cuja rescisão vai custar mais 800 mil dólares aos combalidos cofres tricolores — quando chegou ao Morumbis no ano passado, Crespo ainda não tinha terminado de receber a multa pela demissão de 2021. Apesar de toda a turbulência dos últimos meses, a equipe chegou à semifinal do Paulistão e divide a liderança do Brasileiro com o Palmeiras. Dane-se. Melhor começar do zero.

Impossível nomear aqui as frustrações de todos os 23 homens expulsos na briga generalizada que tomou conta do Mineirão, no domingo. Descontrole talvez seja a melhor palavra para definir o show de porradaria bizarro que atletas e funcionários de Atlético-MG e Cruzeiro ofereceram ao mundo. O que é fato: incapazes de lidar com as pressões de momentos difíceis e uma partida ruim, acharam que o melhor era descer o cacete no coleguinha. Pelas costas, no chão, de qualquer jeito.

Neymar é um caso especial. Para a surpresa até de quem já espera pouco dele, achou melhor não entrar em campo contra o Mirassol, hoje, em jogo que será observado por Carlo Ancelotti, às vésperas da Copa do Mundo. A proximidade com o aniversário de sua irmã proporcionou todo tipo de memes, claro. Mas segue aqui o questionamento sobre a falta de coragem do craque de se expor a uma negativa. Ele não está em condições de jogar uma Copa do Mundo, mas parece estar criando todo tipo de subterfúgio para formar uma bela desculpa quando a convocação não vier (como escrevi aqui na coluna, em fevereiro). Tudo menos: meu futebol não é mais o que um dia foi. Tudo menos se responsabilizar.

Como me disse um amigo hoje cedo, algumas "tosquices" são sempre esperadas. No entanto, assim como o corte pra esquerda do Robben, quando vêm, de alguma forma ainda nos pegam de surpresa. Essas coisas nos surpreendem? Não exatamente. Nos impressionam mesmo assim? Com certeza.

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