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O Racismo e xenofobia

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24.03.2026

O racismo e a xenofobia na União Europeia está a aumentar e os números já não permitem ignorar essa realidade. Dados da Agência dos Direitos Fundamentais mostram que quase metade das pessoas de ascendência africana residentes na UE sofreu discriminação racial: eram 39% em 2016 e passaram a 45% em 2022. Entre a comunidade muçulmana, quase metade relata episódios recentes de discriminação.

Em Portugal, o fenómeno tornou-se mais visível, em parte devido à ascensão da extrema-direita. O partido Chega quadruplicou a sua representação parlamentar e é frequentemente acusado por associações de minorias de promover discursos xenófobos e racistas. Para várias organizações da sociedade civil, esta evolução representa uma ameaça para as pessoas não brancas e para a qualidade da democracia. O discurso político tem acompanhado esta tendência, dirigindo críticas sobretudo à comunidade cigana, frequentemente acusada de explorar benefícios sociais, e à comunidade muçulmana, associada a narrativas de ameaça cultural. O efeito político já é visível: alguns partidos passaram a hesitar em apoiar políticas de integração receando perder votos.

Ainda assim, reduzir o racismo e a xenofobia em Portugal apenas à ascensão recente da extrema-direita seria um erro. O fenómeno tem raízes históricas profundas ligadas à escravatura e ao colonialismo, cujas marcas continuam a moldar desigualdades atuais. Durante décadas, Portugal cultivou a narrativa de ser um país “não racista”, o........

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