A nossa Venezuela
No início, era apenas um sismo. Depois, percebeu-se que se tratava de um sismo de grande intensidade. Quando começaram a surgir as primeiras imagens da destruição provocada pelo sismo na Venezuela, as nossas televisões entraram em alerta. O facto de o sismo ter atingido as comunidades portuguesas da Venezuela, serviu para fazer acordar as redações e a generalidade da comunicação social, então anestesiada pelos medíocres resultados da seleção nacional no Mundial de futebol na América do Norte. Mas entre esse despertar violento e a iniciativa concreta de enviar equipas portuguesas para o local da tragédia, ainda se perderam umas boas horas.
Tendo em conta que o sismo ocorreu numa quinta-feira (25 de junho) e os repórteres só se puseram em marcha no fim de semana seguinte, podemos dizer que a reação foi tardia, mas logisticamente talvez não fosse fácil chegar a Caracas: Daniel Catalão da RTP e Tânia Laranjo da CMTV deram sinais de vida a caminho do local do sismo no domingo 28 de junho, a SIC mandou o brasileiro Anthony Wells, correspondente do canal no Brasil, e a TVI começou a trabalhar no local não com um enviado especial mas com o “enviado em serviço especial” André Ferrão, que é uma forma de dizer “colaborador”.
Só a meio da semana seguinte, portanto quase uma semana depois do sismo, é que o repórter de guerra da TVI, Sérgio Furtado, chegou a Caracas para tomar conta do recado. Foi tarde, tendo em conta a qualidade habitual do seu trabalho. De qualquer forma, até ao fecho desta edição, Daniel Catalão, Sérgio Furtado e Tânia Laranjo continuavam a trabalhar no terreno. A SIC desapareceu da Venezuela. Recapitulemos.
Segunda-feira, 29 de junho
Cinco dias depois do sismo, José Rodrigues dos Santos abre o noticiário da RTP exclamando que “já são mais de 30 pessoas resgatadas dos escombros” do sismo. O destaque já não é o número de vítimas mas as pessoas que ainda podemos salvar. As peças de reportagem são todas feitas na redação, por repórteres como Lígia Veríssimo e Manuela Sousa. É apresentada a história do cão Tsunami, que salvou treze pessoas. O enviado especial Daniel Catalão, correspondente da RTP no Brasil, entra em direto da Playa Grande via Whatsapp, mas as condições de comunicação são péssimas. Durante o noticiário, o número de portugueses ou luso-descendentes que........
