O protocolo do medo nas ruas de Lisboa
Contaram-me três histórias nas últimas semanas, na primeira pessoa e que me mostraram uma tendência. Uma amiga minha saiu da loja Longchamp na Avenida da Liberdade e perguntaram-lhe onde tinha estacionado o carro. Estranhou. Perguntou porquê. Explicaram-lhe que é agora procedimento da casa. Quem sai com sacos grandes é-lhe sugerido que seja acompanhada, por causa da insegurança. Já a Hermès oferece agora a hipótese de levar as compras em saco branco, em vez do saco laranja que toda a gente reconhece a cinquenta metros. A terceira história é de uma terceira amiga, aconselhada à saída da Boutique dos Relógios a puxar a manga por cima do relógio antes de chegar à rua. Parece que todos os clientes o fazem. Nenhuma destas lojas anunciou coisa nenhuma. Simplesmente passou a ser assim. Este é o game changer. Não no assalto, que esse sai nos jornais e discute-se durante três dias. No protocolo silencioso que se instalou à volta dele e que já é rotina no comércio desta cidade.
Entretanto, o gang do Rolex passou a personagem principal nas televisões. Motas, capacetes,........
