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A explicação dos desastres segundo Murphy

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04.08.2026

No já longínquo ano de 2003 a Editorial Presença publicou 3 volumes subordinados ao tema da Lei de Murphy, da autoria de Arthur Bloch. Li-os todos, sempre com a ideia de poder vir a utilizar algumas das citações que deles constam para ilustrar casos concretos do quotidiano nacional. Chegou agora essa ocasião.

Em primeiro lugar, devo dizer que tive o cuidado de contactar a editora explicando o que queria fazer, sem que, pelo menos até agora, duas semanas decorridas, tenha dela recebido resposta conclusiva; se há algo que não pretendo fazer é infringir o disposto na regulação dos direitos de autor, o que, creio, não sucede; tendo também sido consultado para o efeito o departamento jurídico deste semanário, de onde resultou a ideia, com que fiquei, de que as limitações residiriam apenas na proporção entre a relevância (em quantidade) das citações face à totalidade do texto a publicar.

Assim, todas as citações que verão entre aspas, que reduzi ao mínimo, devo-as aos respectivos autores, sendo de minha inteira responsabilidade relacioná-las com os tais casos concretos, a cuja descrição e interpretação procedi, como verão nos parágrafos que se seguem.

Sendo do conhecimento generalizado que a Lei de Murphy “é o princípio segundo o qual tudo pode correr mal”, poucos saberão, contudo, que a origem da expressão remonta a 1949 e que se deve ao capitão Ed Murphy, um engenheiro de uma empresa de aeronáutica que se sentiu frustrado quando, “por causa do mau funcionamento de um aparelho, devido a um erro nas ligações eléctricas de dois manómetros de pressão, observou: se algo pode correr mal, correrá mal”. A divulgação rápida do nome dessa Lei adveio, por sua vez, da sua utilização em anúncios de diversas empresas industriais, o que foi dado a conhecer ao autor dos livros, o acima referido Arthur Bloch, pelo Director de Controlo da Qualidade e Segurança dum projecto a cargo da NASA, George E. Nichols.

Feito o intróito, como estruturei então a minha linha de raciocínio? Pensei em exemplos recentes, uns mais, outros menos, de situações que se viveram em Portugal, descrevi-as segundo as entendi e utilizei citações dos 3 livros para ilustrar “As razões para as coisas correrem mal” (Volume I), “Mais razões para as coisas correrem mal” (Volume II) e “Outras más razões para as coisas correrem mal” (Volume III). Consegui resistir à tentação de usar demasiadas citações, não que houvesse alguma que não valesse a pena explorar, mas antes pela “sensibilidade da matéria” em termos de direitos autorais.

Avancemos então, começando pela indicação do tema que analisei, dando-lhe algum contexto (da minha inteira responsabilidade) e........

© SOL