Mundo cão, País pelintra
O mundo está a ser virado do avesso, com a guerra no Irão. A rapidez com que os americanos contavam ‘arrumar’ o regime de Teerão transformou-se num pesadelo. O disparo no preço dos combustíveis é a consequência mais visível da decisão de Donald Trump e dos seus aliados de Israel. Não contavam com a resistência que enfrentam e que ameaça prosseguir. Ninguém, em plena consciência, pode aventurar-se a dizer onde irá isto tudo desembocar, mas há uma nota digna de registo, nos últimos dias, no conflito: o distanciamento da Europa em relação aos Estados Unidos. Das várias capitais europeias saiu um assomo de revolta perante o apelo de Trump aos aliados da NATO para se envolverem em ações de proteção de petroleiros, no estreito de Ormuz. O valente ‘não’, a que até Portugal se associou, devolveu alguma (embora residual) esperança de que a União Europeia talvez um dia consiga ultrapassar divergências estruturais e encontrar maneiras de se habituar a falar a uma só voz, com dignidade, força e eficácia real. Deu gosto presenciar a recusa dos........
