Preto e branco
Em 1915, Kazimir Malevich apresentou em Petrogrado - a atual São Petersburgo - o seu Quadrado Negro: um quadrado preto sobre fundo branco. Exposto no alto de um canto da sala, no lugar tradicionalmente reservado aos ícones religiosos nas casas russas, adquiria uma dimensão quase sagrada.
O preto, que pode ser luto, autoridade, elegância ou luxo, revela-se menos simples do que aparenta. O branco não é menos complexo: símbolo da inocência, paz e pureza, em certas culturas, como a chinesa, está também associado à morte. Em Moby Dick, Melville mostra como pode sugerir terror. Já nas Metamorfoses, Ovídio descreve o antigo costume de condenar os acusados com pedras negras e absolvê-los com pedras brancas.
Juntos, encontramo-los no tabuleiro do xadrez, nas teclas do piano, na passadeira, nas riscas da zebra e no símbolo do yin-yang, onde cada metade contém um ponto da outra: uma imagem da interdependência dos contrários.
À primeira vista, contudo, não poderia haver oposição mais nítida do que a que existe entre o preto e o branco. A inglesa Bridget Riley (n. 1931) explorou-a para produzir vibração........
