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Maus ares

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07.07.2026

Antes de a teoria microbiana se impor, os cheiros nauseabundos não eram apenas incómodos sensoriais. Eram sinais de perigo, de doença e, até, de impureza moral. O fedor associado a cadáveres, excrementos, corpos sujos, águas estagnadas, casas apinhadas, enfermarias mal ventiladas, bairros pobres, prisões, bordéis e ruas sem saneamento era tomado como indício de degradação física, insalubridade e desordem social.

A teoria dos miasmas dava fundamento médico a essa perceção. Muitas enfermidades – entre elas a malária, literalmente associada aos ‘maus ares’ – eram atribuídas à inalação de ares corrompidos, vapores pútridos e emanações da decomposição orgânica. O odor era o próprio agente nocivo. Tal conceção estava errada quanto à causa direta das doenças infeciosas, mas não era absurda do ponto de vista empírico. Muitos ambientes malcheirosos são, de facto, insalubres: sobrelotação, esgotos deficientes, águas contaminadas, resíduos acumulados e focos de putrefação favorecem a propagação de infeções, embora não seja o cheiro em si a produzi-las. O mau odor, quando muito, sinaliza más condições........

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