Semana 38: O aparecimento do Chega torna tudo mais difícil
Sexta, 26 de Junho: A AD aprovou a PSU com o PS
A AD aprovou a PSU com o PS. Por princípio, sou contra a acordos de bloco central. Favorecem os extremos e nada contribuem para a clarificação política portuguesa. Além disso, nos últimos anos, sobretudo nos anos com António Costa a PM, o PS mostrou que é um partido anti-reformista.
A PSU foi aprovada pela AD e pelo PS por duas razões: uma, depois do Chega ter votado contra a reforma laboral do governo, seria impossível aprovar a PSU; em segundo lugar, o próprio PS comprometeu-se com uma reforma da PSU quando o governo de Costa aceitou os fundos do PRR.
Há mais uma conclusão a retirar. José Luís Carneiro não quer uma crise política agora. Se quisesse, não teria aprovado a PSU. Desconfio que o PS deixará passar o orçamento para o próximo ano. Não só não quer eleições no próximo ano, como possivelmente o PR não dissolveria o parlamento se o orçamento não fosse aprovado.
Sábado, 27 de Junho: A tese dos três blocos
O governo desenvolveu a tese dos três blocos políticos: as esquerdas, onde estão o PS e os outros partidos de esquerda; o centro, onde está a AD; e a direita populista, onde está o Chega. Na minha opinião, é um erro profundo e a AD arrisca-se a pagar um preço muito caro.
A tese foi desenvolvida por causa da segunda volta das eleições presidenciais. Como a AD não quis apoiar nem Seguro nem Ventura, surgiu a tese dos três blocos para justificar a abstenção oficial da AD. O problema inicial foi transformar uma resposta específica a uma situação política conjuntural numa tese geral. A tese do centrismo significa permitir que acontecimentos conjunturais determinem a posição política estrutural de um partido (neste caso, dois partidos). É quase sempre um erro.
Temo que o voto do Chega contra a reforma laboral e o voto do PS a favor da PSU reforcem a tese dos três blocos. Montenegro, que chegou à liderança do PSD contra Rui Rio, está a cair no erro do seu antecessor e a deixar afunilar o PSD numa terra de ninguém. O centro político é um lugar de eleitores,........
