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Deixem de chamar bowls às tigelas

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30.08.2026

Há palavras que entram numa língua porque fazem falta. Outras, porque são inevitáveis. E depois há aquelas que entram simplesmente porque, de repente, parecem mais modernas, mais sofisticadas ou mais cosmopolitas. E é aqui que, talvez, valha a pena questionar: será mesmo necessário chamar bowl a uma tigela?

Nos últimos anos, o português tem sido inundado por estrangeirismos. Alguns são perfeitamente justificáveis, sobretudo quando designam conceitos, tecnologias ou realidades para os quais não existe uma palavra portuguesa equivalente. Mas, outros, são absolutamente dispensáveis. Não acrescentam rigor, não tornam a comunicação mais eficaz e, muitas vezes, servem apenas para dar um ar mais sofisticado a coisas que já têm nome em português.

Uma tigela é uma tigela. Sempre foi.

Agora, de repente, encontramos bowls nos menus, nas redes sociais, nas revistas, nos restaurantes e até na publicidade. Uma tigela de fruta passa a ser uma fruit bowl. Uma tigela de salada e frango transforma-se numa poke bowl. E quanto mais inglês usamos, mais parece que aquilo que fazemos diariamente se torna, automaticamente, mais moderno.

E não é verdade. Aquela tigela continua a ser apenas uma tigela.

E este é apenas um exemplo de um fenómeno muito maior: a substituição desnecessária de palavras portuguesas por palavras estrangeiras.

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