Quando ser como somos já não basta
No regresso de uma viagem ao estrangeiro, chamou-me a atenção uma rapariga que, durante todo o percurso de autocarro até ao aeroporto, esteve a editar no telemóvel uma fotografia em que aparecia num dos sítios mais emblemáticos da cidade.
A viagem durou pelo menos meia hora e, durante todo esse tempo, repetiu os mesmos movimentos: aumentava a fotografia, observava os pormenores, aplicava filtros, voltava à fotografia, aumentava novamente, fazia novas alterações. Tudo de forma rápida e mecânica, denunciando um procedimento já habitual.
Tal como os filtros do telemóvel, também a sua aparência parecia pouco natural: pestanas e unhas postiças, cabelo pintado e roupa escolhida ao pormenor. Não pude deixar de pensar como os filtros do ecrã e os da vida real se começavam a confundir.
A preocupação com a aparência física parece ter ganho uma........
