Sete propostas para um território sustentável
Os acontecimentos trágicos deste mês colocaram a nu as fragilidades territoriais de um país que nas últimas décadas se rendeu ao negócio, à especulação, ao efémero e ao prazer do momento. Um período dominado pelo glamour das selfies presidenciais, pelos afetos políticos, pelas retóricas psicanalíticas da exaltação do individualismo, pelas afirmações políticas em detrimento do pensar, agir e construir bem-estar colectivo. Os bens comuns foram alienados em benefício do «teu prazer» e da «tua felicidade», do negócio rentista que vai da monocultura do eucalipto, às barragens hidroelétricas, aos parques de energia solar, aos parques temáticos do turismo globalizado, num relativismo ético e moral ao serviço de um capitalismo avançado que transformou usos e bens comuns em mercadoria globalizada. Uma casta política ignorante, sem qualquer tipo de imperativo moral maior que serviu e serve interesses que colocaram em causa a dignidade da vida humana. Decisões irresponsáveis, mas alinhadas pelos grandes interesses económico-financeiros integrados em mercados globalizados.
1.É preciso implementar um plano nacional de revalorização económica e social da vida local e regional. Restaurar os equipamentos sociais e culturais, reinstalar os serviços públicos de pequena e média escala no interior das comunidades. Restituir-lhes a dignidade roubada pelas políticas devastadoras do período da Troika. Reforçar a presença dos serviços públicos nas áreas da saúde, justiça, administração pública, agricultura, ambiente e património.
2. As pequenas e médias cidades do “interior” devem ser consideradas estruturas territoriais de alternativa a uma........
