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Zanga de comadres

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16.10.2026

Há um ditado popular que recomenda esperar pela zanga das comadres para conhecer algumas verdades. Luís Montenegro, Pedro Passos Coelho e Carlos Moedas protagonizam uma curiosa novela política, feita de elogios antigos, críticas recentes, amizades convenientes e lealdades com prazo de validade. Em março de 2015, quando era líder parlamentar do PSD e Pedro Passos Coelho primeiro-ministro, Montenegro não poupava nos elogios. Considerava Passos Coelho o português mais bem preparado para governar nos cinco anos seguintes. Um homem sério, competente, determinado e com sentido de Estado. Em julho do mesmo ano, voltava à carga, apresentando-o como exemplo de dedicação, competência e credibilidade. Eram declarações enfáticas, feitas por quem conhecia o primeiro-ministro, trabalhava diretamente com ele e defendia diariamente as suas políticas no Parlamento. Onze anos depois, o ambiente mudou radicalmente. Passos Coelho critica a falta de reformas do Governo, questiona a estratégia política de Montenegro e acusa-o de desperdiçar oportunidades. Montenegro, por sua vez, responde com recados sobre a necessidade de agir em vez de lamentar e desafia quem tem alternativas a apresentá-las.

Também Passos Coelho tem responsabilidades nesta comédia de equívocos. Em 2018, elogiava publicamente o talento de Montenegro e reconhecia-lhe um futuro político promissor. Agora, critica a sua preparação, a ausência de reformas e a estratégia de governação. É legítimo mudar de opinião. Aliás, só os ignorantes nunca mudam. Mas seria interessante que os protagonistas explicassem o que mudou: as circunstâncias, as ideias ou simplesmente os interesses políticos?

Entretanto, entra em cena Carlos Moedas. O atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa resolveu defender Montenegro atacando Passos Coelho. Disse que, para o antigo primeiro-ministro, hoje é mais fácil falar do que fazer. E acrescentou que Passos foi o homem certo para o seu tempo, enquanto Montenegro é o homem certo para o momento atual. Que........

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