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Os incêndios em Portugal começam no inverno

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21.08.2026

Todos os anos, quando chegam os grandes incêndios, Portugal parece surpreendido. Contamos aviões, helicópteros, bombeiros e quilómetros de frente de fogo. Discutimos se os meios chegaram cinco minutos antes ou cinco minutos depois, ouvimos autarcas, comandantes e ministros e, quando finalmente começa a chover, o país muda de assunto. Até ao verão seguinte. Este ritual tem um problema: quando estamos a discutir o combate ao incêndio, já chegámos tarde.

Os incêndios em Portugal começam no inverno. Começam na floresta que não foi gerida, no mato que cresceu, nos caminhos que deixaram de permitir a passagem dos meios, nas propriedades abandonadas, na falta de descontinuidades da paisagem e num território interior que perdeu população e atividade económica. Durante décadas fomos permitindo que uma parte considerável do território português deixasse de ter quem dele cuidasse.

A pequena propriedade fragmentada, o envelhecimento da população rural, a baixa rentabilidade de muitas explorações florestais e agrícolas e a desertificação humana do interior criaram uma combinação perigosa: território sem pessoas, propriedade sem gestão e vegetação sem valor económico. Depois chega o calor. E culpamos o verão por aquilo que não fizemos durante o inverno. Seria, contudo, injusto dizer que nada mudou. Depois da tragédia de 2017, Portugal alterou significativamente o sistema de gestão dos fogos rurais e começou a deslocar recursos do combate para a prevenção. Os resultados existem e devem ser reconhecidos.

Em 2025, o investimento global no Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais atingiu cerca de 600 milhões de euros e 54% da despesa foi destinada à prevenção. A área ardida média no período posterior a 2017 está 43% abaixo da registada anteriormente. Mas há outro número que nos deve preocupar: apenas 44 grandes incêndios foram responsáveis por cerca de 91% da área ardida em 2025. O........

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