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Heidegger e o problema da tradução

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23.10.2026

Ser e Tempo é um monumento filosófico do século XX, um marco de mudança fundamental, e não é assim de estranhar que a sua influência tenha não apenas perdurado como suscite ainda acesos debates.

O livro foi publicado em 1927, mas ao lermos a data da dedicatória que Martin Heidegger faz a Edmund Husserl, com «admiração e amizade» – 8 de Abril de 1926 –, há a sensação de podermos antecipar o centenário desta obra. E nada melhor para o assinalar que uma nova tradução deste clássico.

Publicado em Fevereiro deste ano, Being and Time: An Annotated Translation é o resultado de um trabalho feito ao longo de muitos anos e «testado em contexto de aulas» por Cyril Welch, professor emérito na Mount Allison University, em New Brunswick, no Canadá. A editora apresenta esta tradução como «mais acessível», assegurando que «é muito mais fácil de ler do que as versões anteriores».

Na recensão publicada no Times Literary Supplement do mês passado, Ian Cooper concorda, afirmando que «Cyril Welch elaborou uma nova tradução, bem legível, do formidável texto de Heidegger», ainda que notando que esta versão complementa sem substituir a tradução padrão para inglês, da autoria de John Macquarrie e Edward Robinson, de 1962. Cooper salienta uma das grandes diferenças, a tradução de Dasein por «being-there».

Reagindo a esta recensão, Lesley........

© SOL