Em tempo de guerra(s): Eros e Thanatos
«Guerras e rumores de guerras», lê-se em inúmeras passagens bíblicas, sobretudo no Apocalipse. Ouviremos falar de guerras e de rumores de guerras, mas ainda não será o fim. A questão do escatológico na história humana coloca-se como possibilidade dupla: ou catástrofe ou salvação. Entre o expurgo do mal e a ideia (ou idealismo) de que o mal se expandiu a um ponto tal que é já impossível expulsá-lo, a humanidade tem vivido entre Cila e Caríbdis. Eros e Thanatos, pulsão de vida e pulsão de morte.
No nosso tempo mais uma vez, depois de um ciclo de décadas em que, de modo menos nítido, a guerra, ou as guerras, não surgia(m) no horizonte como possibilidade de aniquilamento do Homem, eis que Trump, ao esfacelar o Direito Internacional (processo em curso desde o seu primeiro mandato), põe em andamento acelerado, numa espécie de vertigem que lembra os processos de fim dos impérios (a orgia e a voragem do fim de Roma, a loucura dos impérios europeus depois da belle époque e a alegria inicial por se ir para a guerra em 1914-18) a energia de Thanatos. É a morte a energia do trumpismo. Não há outra força a guiar a sede expansionista dos dirigentes americanos. Eros, o amor, a vida como inquirição de um sentido que faça sentido (disse-o Camus em O Homem Revoltado), é essa a primeira morte que Trump anuncia urbi et orbi.
Onde fica a União Europeia e onde ficamos nós, portugueses, neste tempo de guerras? Perante a........
