A necessidade das elites intelectuais: Edgar Morin & Maria Alzira Seixo
Lições de um Século de Vida, do filósofo, professor, sociólogo e antropólogo, e também escritor Edgar Morin – talvez a mais alta figura intelectual (vivo) do nosso tempo atual – e Maria Alzira Seixo (1941-2026), sem dúvida uma das personalidades mais marcantes da Universidade portuguesa e da nossa vida cultural, eis do que quero falar hoje.
Não se trata exatamente de recensear o livro de Morin, cuja obra tem como marco geodésico fundamental esse clássico dos estudos sociais, O Homem e a Morte (1951), nem de vincar um dos quaisquer ensaios de Maria Alzira Seixo reunidos em volume (será sempre obrigatório recordar, de 1977, Os Discursos do Texto (a reedição devia ser feita já), mas de, a reboque das suas vida(s) e obra(s), pensar sobre este país – Portugal – e esta Europa, hoje órfãos, cada vez mais, de referências culturais, políticas, intelectuais.
Desde 2016, aquando a primeira eleição de Trump, a ideia de normalizar, na esperança de integrar e de, com isso, aplacar a fúria e o fascínio da extrema-direita pela sede do lucro, veio a traduzir-se na degradação acelerada da vida pública. As democracias ocidentais cujo farol foi, até ao 11 de Setembro de 2001, indiscutivelmente os Estados Unidos da América, falharam no seu projeto de manter viva a herança do Iluminismo e a promessa de 1789. A questão da degradação das democracias é indissociável da ascensão ao poder de uma forma de pensar........
