Se ninguém quer eleições, porque estão (quase) todos à procura de uma crise política?
Há duas semanas, à boleia de uma moção de censura que o Chega ainda nem sequer tinha apresentado, já se anunciava uma nova crise política em Portugal. O expediente de André Ventura já havia sido usado no passado e tinha sido inconsequente. Tal como se previa que fosse desta vez, já que, sem a viabilização do PS, seria impossível abrir uma crise política. Mas isso não impediu a parangona, que era exatamente a que André Ventura procurava.
Os dias que se seguiram foram de um falso suspense. Será que o Chega avança? Será que não avança? André Ventura foi-se desdobrando em entrevistas exclusivas, conferências de imprensa diárias, alimentando e sendo alimentado pela comunicação social que não ignora os efeitos que o talento e o linguajar do líder do Chega têm nas audiências. O guião de Ventura em relação a Luís Neves não é novo e não surpreende ninguém. Já fora usado nos casos das gémeas e da Spinumviva, mas nem por isso deixa de funcionar para ambos os lados. No fim do dia, ‘it´s all about the show’.
Quando o Chega decidiu, finalmente, confirmar a moção de censura, rapidamente o PS anunciou que não a viabilizaria. Coisa que André Ventura já suspeitava, caso........
