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Sócrates é um foragido à justiça e já não tem defesa

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16.03.2026

Em janeiro de 2015, visitei José Sócrates na cadeia de Évora para lhe fazer uma entrevista para a SIC. Numa sala fria, impessoal, onde estavam outros reclusos, o ex-primeiro-ministro não apareceu maquilhado, nem de fato e gravata, mas a agressividade do discurso era a mesma com que me tinha habituado a conviver nos muitos anos em que acompanhei o seu percurso político.

A mera pergunta ‘reconhece que cometeu algum destes crimes?’ era-lhe intolerável. Como ousa alguém questionar a sua inocência? Claro - garantia - que não cometeu nenhum crime. Todo o processo da Operação Marquês era uma enorme conspiração política para o derrubar. Uma cabala, uma armadilha que tinha cúmplices espalhados por todo o lado: nos seus adversários políticos, mas também no seu próprio partido. O Ministério Público era apenas a mão visível dos que o queriam impedir de se candidatar à Presidência da República.

Nos últimos 13 anos, Sócrates foi alimentando esta narrativa. Para si mesmo e para quem o quisesse ouvir. «Não ficará pedra sobre pedra deste processo», repetiu ad nauseam, em artigos de opinião, entrevistas, comunicados, em todos os fóruns para onde era convidado e para os quais se fez muitas vezes convidado.

Até à fase de instrução do processo, José Sócrates parecia determinado em provar........

© SOL