O novo anti-semitismo disfarçado de virtude moral
O anti-semitismo não desapareceu da Europa. Apenas mudou de forma, de linguagem e, em muitos casos, de justificação moral. Hoje já não se apresenta com os velhos estigmas do passado, mas muitas vezes surge disfarçado de posicionamento político, de indignação humanitária ou de leitura simplificada de um dos conflitos mais complexos do mundo. E é precisamente por isso que se tornou mais difícil de identificar, mas não menos perigoso.
Israel não é um país perfeito. Nenhum país o é. O governo de Benjamin Netanyahu tem escolhas políticas discutíveis, incluindo alianças com sectores extremistas internos que fragilizam a coesão da sociedade israelita e geram divisões profundas dentro do próprio país. Criticar essas opções é não só legítimo como necessário num debate democrático. Mas uma coisa é a crítica política a um governo concreto. Outra, bem diferente, é a recusa do direito à existência de Israel enquanto Estado.
E é aqui que começa uma perigosa deriva que se tem intensificado em várias sociedades ocidentais. A transformação da crítica política em condenação colectiva de um povo. A passagem da discordância para a........
