O "New Model Army" Europeu: A Reorganização Urgente da Defesa do continente
Sejamos realistas: atualmente nenhum país europeu, exceto talvez França e Polónia, estão minimamente preparados para o ataque que alguns acreditam que a Rússia está a preparar contra a Moldávia ou os países bálticos para logo que a situação na frente ucraniana acalme e lhe permita movimentar as forças que atualmente tem comprometidas neste cenário.
Com efeito, nenhum país europeu membro da NATO, nem agora os EUA (depois dos consumos extraordinários da Guerra do Irão), têm mísseis de cruzeiro, balísticos, drones de pequena ou média dimensão e, muito mísseis interceptores de mísseis balísticos convencionais, hipersónicos ou contra bombas voadoras como aquelas que os russos têm lançado contra a Ucrânia a partir de dentro da sua própria fronteira.
A Europa está viciada na dependência dos EUA para a sua própria defesa e quando esta vacila porque o seu líder Trump se sente mais próximo dos tiranos Putin ou Kim Jong-un ou porque deixou de ter as munições suficientes para prosseguir as guerras que lançou, quanto mais as suficientes para defesa dos aliados, sejam estes a Coreia do Sul, o Japão ou a Europa.
É verdade que a União Europeia parece ter finalmente despertado do seu torpor e começou a rearmar-se. Mas vai tarde. Muito tarde. Talvez demasiado tarde para poder compensar o atraso com que começou. A Ucrânia consegue resistir ao avanço russo não porque começou na base em que está hoje a Europa mas porque tinha uma gigantesca base de equipamento pesado (munições, tanques de batalha, artilharia e aviação) que tinha herdado da era soviética e que a Europa, nem durante o apogeu da Guerra Fria teve. Foi esta almofada que permitiu a extraordinária resistência ucraniana. Mas esta base soviética original está hoje praticamente esgotada (sobretudo em artilharia) e foi substituída por uma combinação de blindados de desenho soviético repostos via Leste europeu, equipamento ocidental e produção doméstica ucraniana (esta última já um terço do total em 2024). Nada disto existe ou existiu nos países da União Europeia.
Por outro lado, os stocks europeus de mísseis balísticos e de cruzeiro são praticamente zero. Os stocks de mísseis interceptores são tão baixos que, provavelmente, se esgotariam ao fim de apenas um dos dias de conflito. Quantos aos drones FPV e de longo alcance pertencem a categorias que estão praticamente ausentes dos exércitos europeus.
Apesar da reconhecida qualidade dos equipamentos de defesa fabricados na Europa desde o Gripen ao Rafale, passando pelos Meteor e SCALP e fragatas FREMM e FDI, a verdade é que a Europa, hoje, não tem as quantidades de equipamentos militares suficientes para dissuadir um grande ataque ao seu território e soberania, no continente ou fora dele (nos seus territórios ultramarinos e na Gronelândia).
Enquanto a Rússia continua a produzir e a armazenar, a um ritmo frenético, cada vez mais equipamento militar a Europa continua a um ritmo demasiado lento e isto apesar de as........
