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O dia em que o patrão fez greve

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tuesday

Era quase meia-noite. A maioria das luzes já estava apagada. As famílias estavam em casa. As crianças dormiam. As notícias do dia tinham terminado. Mas havia alguém ainda acordado.

Sentado diante de um computador, com uma folha de Excel aberta e uma calculadora ao lado. Não estava a calcular lucros extraordinários. Estava a tentar perceber se, dali a poucos dias, conseguiria pagar todos os salários.

Talvez muitos imaginem que esta cena acontece apenas em pequenas empresas. Não acontece. Acontece em empresas maiores. Acontece em associações. Acontece em IPSS. Acontece em instituições que todos os dias garantem respostas que o país considera essenciais. 

E enquanto olhava para aqueles números, ocorreu-me uma pergunta. O que aconteceria se, no dia seguinte, aquele responsável decidisse fazer greve? Não uma greve tradicional. Uma greve de desistência. Uma greve silenciosa. Uma greve de quem fecha o computador, entrega as chaves e diz: "Façam sem mim."

Provavelmente muitos celebrariam durante algumas horas. Mas a celebração duraria pouco. Porque a verdade é simples. Por detrás de cada salário existe alguém que assumiu um risco. Por detrás de cada posto de trabalho existe alguém que acreditou que era possível criar valor. Por detrás de cada instituição existe alguém que decidiu carregar responsabilidades que a maioria das pessoas nunca verá. E talvez uma das maiores dificuldades do nosso tempo seja precisamente........

© Sapo