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Irão 2026: o fim do regime dos Aiatolás?

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15.01.2026

Quando Michel Foucalt fez a cobertura da Revolução Iraniana de 1979 para o Corriere della Sera e para o Nouvel Observateur chamou-lhe um fenómeno de “espiritualidade política”. Afirmava então que Khomeini não se inspirava em ideais políticos ou económicos, mas na vontade coletiva da transformação do sujeito e do mundo. Também Jean Paul Sartre seguiu a mesma linha de pensamento, defendendo que o Líder Supremo era o libertador anti-imperialista. Mais sagaz, Simone de Beauvoir, embora também apoiante de Khomeini, estava ao lado das mulheres iranianas que protestavam contra o uso forçado do Chador.

A sublevação contra o Ocidente e a modernidade, que muitos intelectuais na época viam na Revolução de 1979, foi a grande ilusão do século XX que arrastou a esquerda emocionada com os ideais de Khomeini. Aliás, os seguidores de Mossadegh do Movimento de Libertação do Irão também foram enganados, apoiaram a queda do Xá, e acabaram perseguidos e torturados.

Das inúmeras revoltas de rua que o Irão já viu, esta poderá ser a que pode levar ao........

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