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O léxico impacta as pessoas

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29.10.2026

Vivemos mais anos, com percursos cada vez mais diversos. Mas a linguagem utilizada para falar das pessoas mais velhas continua frequentemente presa a ideias do passado. Será que palavras como "idoso", "velho", "vulnerável" ou "terceira idade" ainda representam a realidade da longevidade? E que responsabilidade têm as marcas, as instituições e a comunicação nesta mudança?

Há palavras que usamos tão naturalmente que raramente questionamos o seu significado. Fazem parte do nosso vocabulário quotidiano, surgem nos meios de comunicação, nas campanhas publicitárias, nas políticas públicas. Mas algumas dessas palavras, apesar de familiares, podem carregar preconceitos que já não correspondem à realidade das pessoas que pretendem descrever.

É o que acontece quando falamos das pessoas mais velhas.

"Idoso", "velho", "sénior", "terceira idade" ou "vulnerável" são expressões frequentemente utilizadas para identificar um conjunto muito alargado de pessoas, como se partilhassem características, comportamentos, necessidades e expectativas semelhantes. Como se pertencessem todas ao mesmo segmento, sem diversidade nem diferenciação, metidas todas no mesmo “saco”.

O problema não está necessariamente nas palavras, mas nos significados, nas generalizações e nas expectativas que lhes associamos. E, sobretudo, na facilidade com que transformamos uma característica — a idade — numa definição da pessoa. Na comunidade de empresas e instituições do Forum Idade Maior, na qual a MEO e a Fundação MEO participa ativamente desde o seu inicio, sabemos que a idade cronológica per si e de forma isolada já não é uma variável suficiente para caracterizar este público tão diverso entre si.

Quando a linguagem deixa de representar a realidade

A longevidade é uma das grandes conquistas das sociedades contemporâneas. Vivemos mais tempo e assistimos a uma transformação profunda dos percursos de vida, das relações familiares, do trabalho, do consumo e da participação social.

No entanto, a forma como comunicamos sobre o envelhecimento nem sempre acompanhou esta evolução.

Continuamos a associar determinadas idades à perda de capacidades, à doença, à dependência ou ao afastamento da vida ativa. Como se........

© Sapo