A imprevidência de não ouvir Bravo vai condenar-nos à morte por pobreza
Não há privatização de pensões. Não há falta de solidariedade social. Não há mentiras ou interpretações (não do lado do economista), tão pouco intenções escondidas e números seletivos ou martelados. O estudo apresentado por Jorge Bravo sobre o estado da nossa Previdência é apenas isso: uma análise limpa e inopinativa dos factos no seu todo. E traz uma chamada de atenção: se nada mudar, a bomba relógio vai rebentar.
A mudança que se defende não é o fim das reformas. É o seu reforço, tomando o único caminho que assegura que os portugueses continuarão a ter reforma sem terem de trabalhar até caírem mortos, mesmo havendo cada vez menos pessoas a descontar para um número crescente de beneficiários. Ninguém fica de fora, ninguém perde a pensão de velhice. O que se defende é que quem possa e queira fazê-lo, voluntariamente, seja incentivado a distribuir os ovos por vários cestos, através de incentivos a formas adicionais — individuais (por iniciativa própria) e profissionais (através do empregador) — de poupança para a velhice. E para quem não possa ou não esteja disposto a isso, para quem apenas pode contar com os fundos da Previdência, que se consiga garantir um pouco mais trazendo o sistema de pensões para o século XXI, apostando em instrumentos com rendibilidade e fundos capazes de fermentar a base do bolo que fica cada vez mais no fundo........
