Como se mede o sucesso do país?
"A política é para o homem." A frase de Francisco Sá Carneiro atravessou quase meio século sem perder atualidade. Talvez porque encerra a mais singela verdade: a política não é, nem nunca foi, um fim em si mesma. Sempre foi o instrumento para melhorar a vida das pessoas.
No entanto, é curioso verificar que, uma parte significativa do debate político, nos últimos anos, se manteve concentrada nas mesmas questões: quanto deve gastar o Estado, que parte da riqueza produzida deve ser canalizada para financiar a ação pública, quanto deve crescer a economia, quanto devemos reduzir a dívida pública ou quantas medidas deve um governo aprovar.
São perguntas importantes e continuarão, necessariamente, a fazer parte do debate político. Mas talvez exista uma variável que a política portuguesa foi deixando cair. À medida que o imediato passou a dominar o debate público, fomos perdendo o hábito de discutir não apenas o que o Estado deve fazer, mas sobretudo aquilo que a ação pública deve tornar possível na vida das pessoas. A diferença pode parecer apenas semântica, mas não é.
Tudo isso importa muito, mas os instrumentos nunca foram o destino. São apenas os meios através dos quais uma sociedade procura alcançar algo maior.
Produzir riqueza continua a ser indispensável. Sem uma economia forte não existe Estado Social sustentável, nem investimento na saúde, na educação, na ciência ou na segurança.........
