Isto não é o Faroeste!
Preocupam-me as recentes notícias sobre a rega no Vale da Vilariça. Parece que as decisões políticas não estão a ser acompanhadas pela prudência que a técnica – a ciência – exige. A área pode ser pouca, mas o princípio basilar nunca pode falhar – as afluências têm de cobrir, com a devida margem de segurança, as alocações de água concedidas aos agricultores.
Alguém uma vez afirmou que a gestão dos recursos hídricos é como um animal com duas pernas: de um lado a tecnologia e as infraestruturas e do outro a governança. Se descurarmos uma destas pernas o animal seguramente tropeça e cai.1
Na verdade, com o ousado passo tomado pelo governo através da Estratégia Água que Une, com mais tecnologia e infraestrutura ao serviço do Bem Comum, também a governança terá de acompanhar a par e passo.
Os riscos de não o fazer são avassaladores e conhecidos em várias geografias internacionais. A anarquia, a lei da selva, o desgoverno e desregulação promoveram atos de banditismo por atores menos escrupulosos ávidos de retornos rápidos e fáceis sem olhar ao seu próximo e à nossa Casa Comum.
Podemos ir para o outro lado do mundo observar atropelos a direitos humanos no Chile, ou à expansão desregrada do regadio coletivo acompanhada pela sobre-exploração dos aquíferos na Califórnia. Ou podemos passar a fronteira sem grande esforço e ver o mesmo resultado quando se desrespeita o mesmo princípio – permitir uma utilização de água superior às afluências nunca será sustentável.
Destarte, um dos exemplos pelos quais não queremos, de todo, pautar neste departamento é o da Califórnia ou o dos nuestros hermanos. A importar alguma coisa destas geografias que sejam boas práticas e verdadeiro empreendedorismo agrícola – que lá também há muito!
Porque há uma........
