menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Investimento na Defesa: qual o caminho certo?

20 0
20.04.2026

A guerra na Ucrânia continua e a sua ligação ao conflito no Médio Oriente tornou-se cada vez mais evidente. Já não estamos perante crises isoladas, mas sim perante um sistema de conflitos interligados, onde decisões num teatro têm impacto directo noutros. Vladimir Putin percebe isso com clareza. Ao explorar tensões envolvendo o Irão, Moscovo não apenas alivia pressão económica interna, através da subida dos preços da energia, como também cria um ambiente estratégico que procura diluir o foco dos Estados Unidos e reduzir o apoio ocidental à Ucrânia.

Há, aliás, um paradoxo revelador desta interligação: o Irão, aliado da Rússia desde o início da guerra, forneceu drones que saturaram os céus de Kyiv. Hoje, essa mesma realidade levou a Ucrânia a tornar-se fornecedora de conhecimento e tecnologia para países do Golfo, ajudando-os precisamente a combater ameaças desse tipo. A aproximação entre Kyiv e países como Arábia Saudita, Emirados Árabes ou Qatar resulta dessa nova lógica. Estes Estados, confrontados com vulnerabilidades nos seus sistemas tradicionais de defesa e com ameaças indirectas associadas ao Irão, procuram agora soluções adaptadas à guerra contemporânea.

Essa convergência materializou-se em acordos estratégicos de médio/longo prazo, centrados em cooperação tecnológica, em desenvolvimento conjunto e em partilha de experiência operacional em drones, mísseis e guerra eletrónica. A Ucrânia oferece algo único: experiência real de combate em larga escala contra um adversário tecnologicamente relevante. Em troca, reforça a sua base industrial e garante financiamento para a sua sustentabilidade futura. Estamos, assim, perante uma mudança estrutural: a segurança deixou de ser um monopólio euro-atlântico. A Ucrânia nesta matéria já conta mais para a Europa que a Europa pesa para a Ucrânia. A corrida ao investimento em defesa é agora global.

Nos últimos anos, muitos aliados da NATO ultrapassaram finalmente o objectivo dos 2% do PIB em defesa. No papel, isso representa progresso. Na........

© Sapo