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A história esquecida do liberalismo

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27.01.2026

Dois peixes jovens passam por um peixe mais velho, que os cumprimenta e pergunta: “Então, a água está boa?”
Eles respondem que sim e seguem caminho.
Um pouco mais adiante, um dos jovens vira-se para o outro e pergunta:
“O que é a água?”

A história do liberalismo costuma estar assente nos seus pilares de defesa da economia de mercado, da propriedade, dos direitos individuais e da limitação do poder do Estado. Alguns — como Helena Rosenblatt, no livro cujo nome dá título a este artigo — propõem algo mais complexo e intelectualmente exigente. Ainda antes de ser um programa político, o liberalismo era uma virtude pessoal. Antes de ser uma bandeira partidária, era uma ética do carácter. Isto não é apenas um detalhe histórico, mas algo essencial para entender o liberalismo.

Até ao final do século XVIII, “liberal” não designava uma posição ideológica. Designava uma disposição interior. A liberalidade (libéralité) era a qualidade de quem cultivava moderação, educação cívica, autocontenção e sentido de responsabilidade. A liberdade, na sua essência, não era a ausência de travões exteriores, mas o resultado de uma disciplina interior. A sociedade livre dependia........

© Sapo