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Um luxo chamado tempo

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12.03.2026

Nos últimos anos temos observado o crescimento acelerado da chamada economia do wellness e da longevidade. Com um mercado global que já ultrapassa os 6,8 triliões de dólares e projeções que apontam para quase 10 triliões até ao final da década, este setor tornou-se um dos territórios mais promissores da economia global.

Viajar passa, cada vez mais, por cuidar da mente e do corpo, recuperar energia e investir na qualidade de vida a longo prazo. Estamos a assistir a uma evolução do well-being para o well-ageing, onde a experiência começa progressivamente a deslocar-se para a regeneração.

À medida que o significado do luxo contemporâneo evolui, começam também a surgir projetos que revelam como a hospitalidade se tornou um dos seus territórios naturais de expressão. Já não se trata apenas de turismo ou de responder à procura global, mas da materialização de uma leitura estratégica sobre a evolução das sociedades e sobre aquilo que as novas gerações começam verdadeiramente a valorizar.

O crescente interesse pela longevidade tem também atraído grandes investidores globais de diferentes áreas, incluindo da tecnologia, que passaram a financiar investigação sobre medicina regenerativa e rejuvenescimento celular. Por exemplo, Jeff Bezos, fundador da Amazon, está associado ao financiamento de cerca de 3 mil milhões de dólares na Altos Labs, empresa dedicada ao estudo do rejuvenescimento biológico.

A longevidade deixou assim de ser apenas um tema de bem-estar para se tornar uma nova fronteira científica, tecnológica e económica.

É neste ponto que o luxo volta a desempenhar o papel que sempre teve ao longo da história. Mais do que objetos, o luxo sempre foi uma interpretação cultural da sociedade em que surge, captando aquilo que em cada época se torna raro, desejável e valioso. Durante muito tempo essa raridade esteve associada ao tangível como materiais preciosos, objetos exclusivos, acessos privilegiados ou símbolos visíveis de estatuto. Hoje, essa definição começa a deslocar-se para algo muito mais intangível e profundamente ligado à economia da longevidade: o tempo.

É precisamente aqui que a hospitalidade de excelência encontra uma nova oportunidade. Criar destinos capazes de traduzir essa ambição humana em experiências de regeneração, saúde e qualidade de vida.

Num mundo acelerado e frequentemente exausto, o verdadeiro recurso raro pode já não ser aquilo que possuímos, mas a forma como vivemos o nosso tempo.

AMAALA: Onde o tempo ganha outro valor

Num território de mais de 4.100 km² no Mar Vermelho nasce AMAALA, um dos projetos de hospitalidade mais significativos da atualidade, concebido para responder a uma nova ambição global de viver melhor e durante mais tempo.

O que torna este destino verdadeiramente singular é reunir, num único território, algumas das melhores referências globais, permitindo que cada uma contribua com a sua especialidade.

Four Seasons, Rosewood e The Ritz-Carlton traduzem a hospitalidade clássica e refinada. Six Senses dedica-se à regeneração através da natureza. Equinox explora a dimensão da performance física e da otimização do corpo. Clinique La Prairie introduz a ciência da longevidade e da medicina preventiva. Nammos acrescenta a dimensão social e gastronómica. Jayasom propõe uma abordagem mais holística do bem-estar.

Curiosamente, AMAALA pretende receber cerca de 500 mil visitantes por ano quando estiver totalmente concluído. Para um território desta dimensão, o número é relativamente limitado e revela uma decisão clara de posicionamento estratégico. No universo do luxo, o valor continua muitas vezes a nascer da escassez. Controlar o acesso significa preservar a qualidade da experiência, proteger o território e manter a exclusividade do destino.

Se durante muito tempo o luxo esteve ligado ao que é raro, talvez o século XXI esteja a dar-lhe um novo significado. A possibilidade de viver por mais anos, com mais qualidade.

Um luxo chamado tempo.

Estratégia de expansão e diversificação

Quando analisamos este projeto com alguma distância estratégica, percebemos que ele não responde apenas a uma oportunidade turística. Ele reflete também uma leitura económica e geopolítica muito clara.

Para um país como a Arábia Saudita, historicamente dependente do petróleo, investir na hospitalidade representa uma estratégia de diversificação económica e de criação de novos motores de crescimento. AMAALA insere-se diretamente nessa visão e deverá contribuir com cerca de 3 mil milhões de dólares por ano para o PIB do país, além de gerar até 50 mil empregos quando estiver totalmente desenvolvido.

Destinos desta escala não criam apenas experiências, criam ativos imobiliários duradouros, capazes de gerar valor patrimonial e receitas recorrentes ao longo do tempo.

A hospitalidade deixa assim de ser apenas turismo, e passa a afirmar-se como infraestrutura económica estratégica de expansão.

Todas as semanas, no SAPO, Os Alquimistas olham para o turismo como uma das indústrias do glamour e fascinantes do mundo, capaz de gerar impacto positivo à escala global. Com a experiência de André Oliveira, Teresa Moreira, Tiago Duarte e Célia Meira, é um espaço de reflexão e transformação onde a alquimia se traduz em ideias, estratégias e narrativas que iluminam o setor. Entre o enquadramento nacional e o internacional, exploram tendências e revelam a verdadeira essência desta indústria da paz: unir pessoas, culturas e destinos através da qualidade e da inspiração.


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