Montentegro a vapor
O governo perdeu impulso por responsabilidade própria — contou sempre com o melhor dos mundos e gastou o que tinha sem resolver nada de estrutural. Perdeu-o também porque a crise energética acabaria sempre por chegar às ruas e alimentar os protestos. Mas nem tudo é culpa do primeiro-ministro: a crise energética tem impressão digital — a de Trump — e não fosse a crescente eletrificação do parque automóvel, o impacto nas ruas portuguesas seria provavelmente ainda maior.
As manifestações — e a guerrilha urbana — em França e Espanha espalharam-se pela Europa, a esquerda radical assume naturalmente a liderança dos protestos e o PS assiste ao desenrolar dos acontecimentos a partir da bancada televisiva, procurando mungir alguns ganhos eleitorais sem descer ele próprio às praças do país — para já, pelo menos.
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