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A Europa compra o futuro que os outros constroem

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22.06.2026

A Europa habituou-se a olhar para si própria como uma história de sucesso. E, em muitos aspetos, é-o. Tem cidades habitáveis, bons sistemas públicos, proteção social, universidades de qualidade, segurança, cultura, património e uma qualidade de vida que continua a atrair milhões de pessoas. Mas há uma pergunta incómoda que não pode continuar a ser evitada: durante quanto tempo poderá a Europa viver bem se deixar de construir o futuro?

A provocação lançada recentemente pela The Economist — a Europa compra o futuro, enquanto a América o constrói — resume com precisão uma inquietação estratégica. Os europeus usam smartphones, plataformas digitais, serviços de computação em nuvem, ferramentas de inteligência artificial, redes sociais, sistemas operativos e infraestruturas tecnológicas que moldam o quotidiano, a economia e até a democracia. Mas, em larga medida, essas tecnologias não são europeias. São sobretudo americanas. A Europa consome inovação; os Estados Unidos transformam-na em empresas globais, lucros, poder geopolítico e capacidade de influência.

O problema não é apenas económico. É também político e civilizacional. Quem controla as tecnologias estruturantes controla cadeias de valor, standards, dados, modelos de negócio e, cada vez mais, formas de........

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