“- E aí? Foi Deus quem mandou o raio?” – por pastor Zé Barbosa Jr
Há quem veja sinais divinos em tudo. Um gol no último minuto vira milagre, uma doença curada vira prova de fé, uma tragédia vira castigo. No Brasil de hoje, essa lógica foi acionada mais uma vez quando um raio atingiu a aglomeração que aguardava o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) em Brasília, em meio a um forte temporal. Para alguns, Deus teria “se vingado”. Para outros, Deus teria “dado um aviso” contra a mistura entre religião e política. Ambas as leituras erram o alvo — e, pior, reproduzem exatamente o tipo de discurso que a extrema-direita transformou em método.
O que aconteceu não foi um ato divino. Foi um ato humano. Ou melhor, um conjunto de atos humanos marcados por irresponsabilidade, fanatismo político e desprezo por qualquer noção básica de segurança. Enfrentar um temporal em área aberta, com milhares de pessoas aglomeradas, é assumir um risco óbvio. Raios não escolhem lado ideológico, não leem Bíblia nem Constituição. Atribuir o ocorrido a Deus não é fé: é terceirização da culpa. É mais fácil apontar para o céu do que encarar decisões tomadas aqui embaixo.
Mas há um segundo ponto que precisa ser dito sem rodeios: se o episódio tivesse ocorrido em um evento identificado com a........
