O cassino que levamos no bolso
Na primeira semana de setembro de 2026, o Brasil apertou o cerco às bets. No dia 2, a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou restrições à publicidade e ao patrocínio das empresas de apostas. No dia seguinte, o Ministério da Justiça regulamentou a recuperação de mais de R$ 1 bilhão bloqueado de operadores ilegais. Em julho, o governo federal já havia tornado obrigatórias advertências sobre dependência e perda de dinheiro nas campanhas.
As apostas esportivas foram autorizadas em dezembro de 2018; uma lei de 2023 ampliou o mercado; desde janeiro de 2025, empresas precisam de autorização federal para operar. Em poucos anos, as bets passaram de atividade periférica para presença no futebol, nos celulares e no orçamento doméstico.
Sempre me pareceu pobre reduzir essa discussão à liberdade de adultos escolherem onde gastar dinheiro. Quem aposta encontra empresas capazes de registrar acesso, depósitos, perdas, frequência e reação depois de uma derrota. A plataforma aprende quanto cada usuário arrisca, quanto demora para voltar e quanto aumenta o valor ao tentar recuperar o prejuízo.
Quanto mais observo esse mercado, mais me preocupa essa diferença de forças. Para o apostador, podem ser minutos diante de uma partida. Para a empresa, esses minutos ajudam a construir um retrato comportamental e a oferecer nova aposta quando a pessoa está mais propensa a continuar.
A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 1,2% dos........
