Fios desencapados na República
O jornalismo perde força pública sempre que aceita como desfecho aquilo que deveria tratar como começo. Uma nota oficial chega, uma autoridade nega, o advogado apresenta sua versão, outra manchete ocupa a tela e a pergunta anterior começa a morrer. Para quem dispõe de dinheiro, influência e acesso aos centros de decisão, poucas coisas valem tanto quanto o esquecimento.
Na reta final do primeiro turno, pesquisas ameaçam dominar páginas, telas e minutos. Enquanto números eleitorais variam, circula diante do país uma massa excepcional de mensagens, contratos, relatórios policiais e fluxos financeiros. A democracia precisa dessas respostas antes que outubro converta investigação em arquivo.
O Banco Master concentra boa parte dessa urgência. Daniel Vorcaro aparece cercado por ministros, familiares de magistrados, advogados, ex-integrantes de governos, políticos e intermediários. Relações profissionais podem ser legítimas; relações sociais também. A obrigação da reportagem está em descobrir quanto dinheiro circulou, por quais serviços, quais interesses estavam em disputa e se decisões públicas sofreram influência indevida.
Alexandre de Moraes cabe em um parágrafo, embora o material recomende investigação longa. A PF identificou edições feitas pelo ministro na minuta do contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de sua mulher; documentos enviados ao Congresso apontam mais de R$ 80 milhões pagos antes da liquidação do banco. Moraes também viajou em aeronave operada pela Prime Aviation; o escritório afirma que contratou serviço regular de táxi aéreo e que Vorcaro jamais esteve nos voos. Contratos, faturas, comprovantes, datas e trajetos permanecem como matéria para apuração.
Ibaneis Rocha merece escrutínio rigoroso pelo que ocorreu no banco público controlado pelo Distrito Federal durante seu governo. O BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Master na compra de carteiras de crédito; relatório da PF apontou aproximadamente R$ 12,2 bilhões em títulos falsos. A atual direção estima R$ 8,8 bilhões em possíveis perdas, dos quais ao menos R$ 2,6 bilhões carecem de lastro. Ibaneis defendeu a compra mesmo depois de o........
