De Patrocínio ao mundo, o Planeta Café
O Planeta Café nasceu em Patrocínio, Minas Gerais.
A rede expandiu suas operações para atender clientes em nível internacional.
A marca destaca-se por oferecer cafés especiais e produtos regionais.
O crescimento visa posicionar o Planeta Café como referência global no setor.
Entrei em Patrocínio, nas Minas Gerais, com a impressão de que visitaria fazendas de café. Saí com a certeza de que havia atravessado um território econômico, humano e cultural maior do que a palavra fazenda costuma comportar. O município mineiro, fincado no Alto Paranaíba e integrado ao Cerrado Mineiro, não recebeu por acaso o título de capital mundial do café. Reúne a maior área cafeeira do Brasil, cerca de 42.830 hectares cultivados, e lidera a produção nacional de café arábica, com mais de 64 mil toneladas anuais. Esses números explicam parte da força local. A outra parte só se entende caminhando entre lavouras, terreiros, máquinas, famílias e o aroma que parece chegar antes da própria conversa.
Johann Sebastian Bach escreveu: “Ah! Que doce prazer, nada me dá tanto prazer quanto tomar meu café!” Em Patrocínio, a frase ganhou endereço, altitude e lavoura. Aquele prazer estava na florada, no terreiro, no café servido sem cerimônia e na alegria contida de quem sabe que uma boa bebida começa muito antes da água ferver. Começa no solo, no clima, na poda, na colheita, na escolha do grão e na paciência de uma gente que aprendeu a conversar com a terra sem pressa, sem transformar a dureza do trabalho em postal turístico.
O café da Fazenda Nunes/Foto: Washington Araújo
A cadeia econômica do café
O café é uma das mercadorias mais consumidas do planeta. Atravessa fronteiras, sustenta milhões de famílias e move uma cadeia que vai do pequeno produtor ao exportador, do laboratório de classificação ao barista, do porto brasileiro às cafeterias de Tóquio e Londres. Para o Brasil, maior produtor e exportador mundial, o grão nunca foi apenas bebida. Foi fronteira agrícola, formação de cidades, riqueza, disputa política, trabalho, inovação e, agora, reputação. No passado, bastava embarcar sacas. Hoje, o mundo pergunta de onde vem o produto, como foi cultivado, que história carrega e que responsabilidade social e ambiental sustenta.
Foi esse Brasil novo que encontrei na Fazenda Nunes. Ali, Osmar Júnior, o Juninho, fala da lavoura como quem narra uma vida. A história começou com o gado, sob a liderança do patriarca Osmar Pereira Nunes, até que, em 24 de novembro de 1984, Juninho decidiu plantar dez hectares de arábica no solo do Cerrado Mineiro. No ano seguinte, outros sete hectares........
