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Da Proconsult à cadeira vazia, a Globo pensa que ainda edita o país

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02.10.2026

Durante quase uma década, entre o começo dos anos 2000 e aproximadamente 2012, mantive semanalmente uma coluna no Observatório da Imprensa. Era meu posto de observação sobre o jornalismo brasileiro, suas virtudes, vícios, arrogâncias e pecados cotidianos. Hoje tive uma recaída. Voltei à velha função para descobrir se, depois de tantos anos, ainda sei manejar esse bisturi sem perder a mão. Sinto falta do olhar aguçado e da análise precisa do meu velho amigo Alberto Dines.

A Globo entrou na noite de 1º de outubro de 2026 preparada para realizar o último debate presidencial antes das urnas e terminou protagonizando ela própria a notícia. Duas decisões judiciais desmontaram aspectos importantes do cenário que havia preparado e recolocaram sobre a mesa uma pergunta que atravessa sua história: quem fiscaliza o enorme poder de quem seleciona, enquadra e distribui a realidade política para milhões de brasileiros?

Lula já comunicara que não participaria. Sua campanha avaliava que ele seria o único candidato dito de esquerda diante de quatro concorrentes situados à direita ou mais à direita, todos com tempo semelhante para confrontá-lo e transformar suas intervenções em sucessivas escadas contra o governo. Preferiu o podcast Flow.

Pode-se criticar a estratégia; comparecer ao debate nunca foi obrigação legal. Assim como também ninguém tem obrigação de entrar em uma arapuca ou ser vítima de tocaia comunicacional. Certo?

A Globo preparara um púlpito com o nome do presidente e pretendia mantê-lo vazio diante das câmeras, permitindo ainda perguntas destinadas ao ausente. A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu ambos. Entendeu que a cadeira vazia produziria punição visual contra quem exercera o direito de faltar e que perguntas sem possibilidade de resposta criariam desequilíbrio entre os participantes.

Quase simultaneamente, o ministro decano do STF Gilmar Mendes determinou a inclusão de Renan Santos, do Missão. Pela regra legal, sua presença não era obrigatória porque o partido não alcançava a representação parlamentar mínima. O ministro, porém, considerou outros critérios adotados pela própria emissora e invocou pluralismo e liberdade de expressão na disputa eleitoral.

Flávio Bolsonaro desistiu logo depois, e o debate morreu antes de começar.

Naquela mesma noite de ontem (01/10), Malu Gaspar afirmou na GloboNews que Flávio havia condicionado sua presença à ausência de Renan. É uma informação atribuída à jornalista, sem comprovação documental pública até agora. Ainda assim,........

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