A margem da história onde a esperança ainda vive
Existem três causas pelas quais eu entregaria, sem arrependimento, os anos que ainda me restam: a justiça, o amor e a liberdade. Penso nelas com a serenidade de quem já viveu bastante para compreender que uma existência pode atravessar décadas inteiras sem jamais experimentar a grandeza de servir a alguma coisa que ultrapasse seus próprios interesses.
Durante este último ano, acompanhei, como jornalista, acontecimentos que me fizeram revisitar antigas convicções sobre a natureza humana. Escrevi diariamente, concedi entrevistas, participei de debates e conversei com centenas de pessoas. Entretanto, o que permaneceu comigo foram certos encontros, determinados gestos, algumas palavras pronunciadas com a voz embargada por quem descobria, quase surpreso, que ainda possuía coragem para transformar a própria vida.
Vi pessoas idosas caminhando ao lado de jovens que poderiam ser seus netos. Imaginei quantas dores, despedidas e desilusões aquelas mãos enrugadas já haviam conhecido. E me comoveu perceber que, apesar de........
