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Michelle Bolsonaro descobre por que precisa do feminismo (como todas descobrirão um dia)

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25.06.2026

Michelle Bolsonaro entrou em conflito público com Flávio Bolsonaro, gerando debate interno na direita brasileira.

O episódio expôs, segundo a análise, um machismo estrutural que tenta definir papéis femininos independentemente da filiação política.

A crítica aponta que o patriarcado aceita mulheres que reforçam a imagem masculina, mas rejeita aquelas que ocupam espaços autônomos.

O caso reforça a necessidade de feminismo para enfrentar desigualdades que afetam mulheres de diferentes classes e etnias.

O episódio envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro poderia ser lido apenas como mais uma crise interna da direita brasileira. Mas ele revela algo maior, mais antigo e muito mais profundo do que uma disputa familiar ou partidária: o machismo não pergunta em quem a mulher vota antes de tentar colocá-la no lugar que considera adequado.

Essa talvez seja uma das maiores ilusões vendidas às mulheres conservadoras. A ideia de que, se forem comportadas, discretas, casadas, religiosas, mães, defensoras da família e críticas ao feminismo, estarão protegidas da misoginia. Como se o patriarcado fizesse algum tipo de pacto de proteção com as mulheres que obedecem melhor.

O patriarcado até aceita mulheres, desde que elas cumpram uma função. Aceita a mulher que enfeita o palanque, que humaniza o homem público, que mobiliza outras mulheres, que sorri na fotografia, que fala de família, que emociona o eleitorado e que confirma, com sua presença, a autoridade masculina ao redor. O problema começa quando essa mulher deixa de ser apenas símbolo e tenta ser sujeito. Quando quer decidir. Quando diverge. Quando ocupa um espaço que não foi concedido apenas como decoração.

Aí a engrenagem aparece.

E aparece de forma muito parecida para mulheres de todos os campos políticos. É claro que não vivemos todas a mesma experiência. Uma mulher branca, rica e pública não enfrenta o mundo da mesma forma que uma mulher negra, pobre, periférica, indígena, trans ou trabalhadora doméstica. Nenhum feminismo sério pode ignorar essas diferenças. Mas reconhecer as camadas da........

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