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Fé, pertencimento e irmandade: em quem depositamos nossa confiança?

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22.09.2026

Confiar é aceitar algum grau de vulnerabilidade diante do outro, porque toda relação de confiança pressupõe que não controlamos integralmente aquilo que a outra pessoa fará com o espaço, a informação, o dinheiro, o afeto ou o poder que colocamos em suas mãos. Por isso, embora a confiança seja indispensável à vida em sociedade, ela nunca deveria significar ausência de discernimento, especialmente quando deixa o campo privado e passa a alcançar instituições religiosas, relações econômicas e escolhas políticas.

Há algo particularmente poderoso na confiança produzida pelo pertencimento. Pessoas que compartilham a mesma comunidade, a mesma linguagem, a mesma religião ou determinados valores tendem a reconhecer umas nas outras sinais de familiaridade que diminuem a distância e facilitam vínculos.

É nesse ponto que a leitura de “Pertencimento”, de bell hooks, se torna tão interessante, porque sua reflexão sobre comunidade, identidade, lugar e pertencimento ajuda a compreender por que a necessidade humana de se sentir parte de alguma coisa pode produzir acolhimento, proteção e solidariedade, mas também exige atenção para que pertencimento não seja confundido com obediência ou suspensão da crítica.

No espaço religioso essa dinâmica ganha ainda mais força, porque a linguagem da fé não organiza apenas uma comunidade social, mas também uma comunidade moral. Quando alguém é chamado de irmão ou irmã, não se está descrevendo simplesmente uma relação de convivência. Há, por trás dessa palavra, a ideia de valores comuns, de compromisso, de responsabilidade e de uma espécie de reconhecimento mútuo que pode produzir um tipo muito particular de confiança.

O problema começa quando essa confiança deixa de ser espiritual ou comunitária e passa a operar como certificado informal de idoneidade em outras esferas da vida.

É nesse ponto que as relações envolvendo Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel e a Igreja Batista da Lagoinha merecem ser observadas com atenção, não porque pertença religiosa seja evidência de irregularidade, mas justamente porque o caso mostra como redes de fé, amizade, família, negócios e política podem se cruzar de forma tão intensa que se torna necessário separar aquilo que é afinidade pessoal daquilo que deve ser submetido a critérios públicos de transparência.

Fabiano Zettel é casado com Natalia Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro, e esteve ligado à Igreja Batista da Lagoinha, onde exerceu........

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