Maria, Maria
Ela acorda antes do ônibus.
5h20 da manhã, na Vila. O barulho da caixa d’água, o cheiro do café coado no pano, a marmita do marido e as duas filhas ainda dormindo num colchão só. O nome dela é Maria. Poderia ser Fátima, Bete, Rosângela. É todas. Ela tem sonhos. Ela tem raça.
Maria não teve palco. Teve tanque. Teve faxina nos prédios da zona sul, onde ela nunca pôde morar, mas que ela limpava como se fosse seu. Teve a conta que não fechava no fim do mês e fechava na fé.
Aí um dia ela cansou de pedir licença. Ela arrombou à porta.
Pegou o salão da igreja que vivia fechado, varreu, pediu........
