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Por um novo ciclo de transformação social

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18.08.2026

Governos Lula (PT) reduziram pobreza, aumentaram salário mínimo, ampliaram emprego formal e expandiram universidades e institutos federais.

O Estado retomou papel central no desenvolvimento, fortalecendo políticas sociais e impactando milhões de brasileiros.

Apesar dos avanços, milhões ainda vivem sem saneamento básico, saúde e educação adequados, evidenciando desigualdades persistentes.

O texto defende um novo ciclo de transformação social que vá além da mera administração da pobreza.

É impossível não reconhecer a importância das conquistas alcançadas pelos governos Lula (PT). A redução da pobreza, a valorização do salário mínimo, a ampliação do emprego formal, a expansão das universidades e dos institutos federais, o fortalecimento das políticas sociais e a retomada do papel do Estado no desenvolvimento produziram mudanças concretas na vida de milhões de brasileiros.

Também é impossível ignorar que os governos petistas representaram, em diversos momentos, uma reação a décadas de abandono social, concentração de renda e ausência de políticas públicas consistentes. Programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Mais Médicos, os investimentos em educação e a política de valorização do salário mínimo tiveram impacto significativo sobre a vida da população mais pobre.

Essas conquistas precisam ser defendidas. Mas defendê-las não significa suspender a capacidade de análise, crítica e cobrança. Pelo contrário: quanto maior a responsabilidade histórica de um projeto político, maior deve ser sua disposição para reconhecer limites e corrigir rumos.

Depois de tantos anos de presença no poder federal, não é suficiente perguntar apenas o que foi realizado. É preciso perguntar também por que o Brasil ainda convive com desigualdades tão profundas e por que problemas fundamentais continuam sem solução.

O que ainda não foi transformado

Apesar dos avanços, o país continua entre os mais desiguais do mundo. Milhões de brasileiros ainda vivem em condições precárias, sem saneamento básico, sem acesso adequado à saúde e à educação e sem perspectivas concretas de mobilidade social.

A pobreza pode ser reduzida sem que a desigualdade seja estruturalmente enfrentada. O consumo pode aumentar sem que a população tenha acesso a serviços públicos de qualidade. O número de estudantes no ensino superior pode crescer sem que a educação básica consiga alfabetizar plenamente todas as crianças.

O Brasil avançou, mas não rompeu com as estruturas que reproduzem a exclusão. A concentração de renda permanece elevada. O sistema tributário ainda pesa proporcionalmente mais sobre os pobres do que sobre os ricos. O acesso à educação de qualidade continua determinado pelo local de nascimento. O saneamento básico permanece distante de milhões de famílias. A precarização do trabalho e a informalidade continuam afetando uma parcela enorme da população.

É nesse ponto que a reflexão se torna necessária: um projeto que se pretende transformador não pode se limitar a administrar a pobreza ou compensar, parcialmente, seus efeitos. É preciso enfrentar as causas que fazem com que a desigualdade se reproduza de uma geração para outra.

As alianças e os limites da governabilidade

Nenhum governo progressista governa em condições ideais. O presidencialismo de coalizão impõe negociações permanentes com um Congresso fragmentado. Estados e municípios possuem papel decisivo na execução de políticas públicas. Os interesses econômicos organizados exercem forte influência sobre as decisões nacionais. Reformas importantes enfrentam resistências de grupos que se beneficiam do atual modelo.

As alianças, portanto, são uma realidade política. Não podem ser ignoradas........

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