O Brasil que abriu portas para quem precisava não pode voltar a fechá-las
Minha avó não teve a oportunidade de chegar à universidade. Minha mãe também não. Eu sou a primeira mulher do meu núcleo familiar a ingressar em um mestrado de uma universidade federal. Essa conquista, que poderia parecer apenas uma realização individual, carrega uma história muito maior do que a minha. É atravessada pelas oportunidades negadas às mulheres que vieram antes de mim e pelas transformações que permitiram à minha geração começar a romper ciclos históricos de exclusão.
Sou filha das políticas públicas do governo Lula. Entrei na faculdade pelo Programa Universidade para Todos (ProUni), me formei em Jornalismo e conquistei uma profissão que hoje põe comida na mesa de toda a minha família, nos tirou da insegurança alimentar e de moradia. Sou mãe solo de dois filhos e sei o peso da responsabilidade de garantir, sozinha, o sustento da minha casa.
Quando falo sobre políticas públicas, não estou falando de números e estatísticas, apenas. Estou falando do direito de viver com dignidade, da sobrevivência da minha família e de tantas outras que precisaram, e ainda precisam, de políticas públicas pensadas para o povo, e não para os ricos. Porque, para quem sempre teve tudo, oportunidade é uma escolha. Para quem nasceu sem privilégios, ela pode mudar o destino de gerações.
Durante muito tempo, o acesso ao ensino superior no Brasil foi determinado, em grande medida, pela origem social. Para milhões de brasileiros, a universidade parecia pertencer a um mundo ao qual não tinham sido convidados.
O ProUni, criado durante o primeiro governo Lula, contribuiu para reverter essa cruel realidade ao ampliar o acesso à graduação por meio de bolsas em instituições privadas. Reduzindo desigualdades educacionais e abrindo caminhos antes inacessíveis para uma parcela importante da população.
Minha trajetória é uma dessas histórias. E não a considero uma exceção extraordinária. Pelo contrário, ela ajuda a compreender o que acontece quando o Estado assume a responsabilidade de enfrentar desigualdades que o esforço individual, sozinho, não consegue superar.
Não faltavam capacidade, inteligência ou vontade às mulheres da minha família. Faltavam condições materiais, acesso e oportunidades. Essa distinção é fundamental em um país que insiste em transformar conquistas........
