Os órfãos da pandemia vão decidir a eleição
“Sou uma viúva da Covid. Eu voto pelos que não podem mais votar.”
Jamil Chade relata, no vídeo “Bolsonaristas: Eu sei o que vocês fizeram na pandemia”, a presença lancinante de uma mulher de preto numa manifestação em Copacabana. O cartaz que ela erguia não era apenas um pedaço de papel: foi a materialização do luto coletivo, um grito estridente contra a infâmia do esquecimento que os carrascos do povo brasileiro tentam impor à força.
Neste exato momento, a exatos nove dias do segundo turno da eleição presidencial de 2026, o Brasil vive o ápice de um acerto de contas histórico.
O filho de Jair Bolsonaro, de nome Flávio, tem 51% das intenções de votos válidos, contra 49% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira,15.
Um empate técnico dramático e aterrador entre o senador da extrema-direita — que abertamente prometeu “honrar o legado de meu pai Jair Bolsonaro, que subirá comigo a rampa do Palácio do Planalto” — e o presidente Lula, que tenta a reeleição.
Devolver o poder ao bolsonarismo, agora encarnado pelo filho e fiel guardião da necropolítica do pai, seria a mais absoluta abjeção moral. Seria cuspir na sepultura de 700 mil brasileiros.
O cinismo, o deboche e o sangue nas mãos
Nenhum governo neste planeta tem o poder divino de impedir o surgimento de um vírus desconhecido. O que separa um estadista de um genocida, porém, é o que se faz diante da catástrofe.
Um governo responsável protege sua gente: respeita a ciência, compra vacinas, prepara hospitais, garante oxigênio. Salvar vidas é o dever intransigível do Estado. O que os Bolsonaro fizeram foi exatamente o oposto.
Assassinou a esperança a golpes de sadismo, deboche e propaganda criminosa.
E o oftalmologista Claudio Lottenberg — cotado para assumir o Ministério da Saúde em um eventual governo do Bolsonaro Flávio — teve a pachorra de declarar em entrevista à Folha, publicada nesta quinta-feira, 8 de outubro:
“Eu prefiro deixar isso como capítulo superado”.
As famílias enlutadas não devem silêncio a quem disputa o poder........
