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O Brasil está gritando: Bolsonaros nunca mais

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20.10.2026

Faltam seis dias para o segundo turno. No próximo domingo, 25 de outubro, o Brasil decidirá se entrega a Presidência ao Bolsonaro de prenome Flávio, o herdeiro escolhido para levar de volta ao Planalto um projeto que tentou impedir, pela força, a alternância democrática. Ou se reelege Lula. 

A pergunta de João Moreira Salles, na Revista piauí de outubro, foi dirigida a uma parcela poderosa da elite econômica que recebeu Flávio para jantar:  

“Até onde se pode normalizar os Bolsonaro sabendo quem são?”.

Quando empresários e banqueiros discutem déficit, impostos e privatizações como se a democracia fosse apenas mais uma variável de mercado, o risco é tratar como normal o que deveria estabelecer um limite moral.  

Tortura, ditadura, milícia e golpe não são itens de uma planilha. 

O que está em disputa não é apenas a continuação de um sobrenome. Bolsonaro filho, de prenome Flávio, declarou que pretende honrar o pai, libertá-lo da prisão e governar ao lado dele. Promete anistiar o Bolsonaro pai Jair e a organização criminosa que se tornou célebre no 8 de janeiro de 2023.  E já disse que Bolsonaro pai vai subir a rampa do Planalto junto com ele, Bolsonaro filho. Um compromisso político anunciado em público. 

O assassinato de Lula e Alckmin 

Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, como líder da organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado. A trama buscava impedir a posse de Lula, eleito em 2022 e empossado em 1º de janeiro de 2023. A denúncia da PGR descreveu o “Punhal Amarelo”, como o plano que previa assassinar Lula e Alckmin.  

Bolsonaro Filho não se apresenta como alguém disposto a romper com essa história e chama a tentativa de golpe de “farsa armada para tirar o presidente Bolsonaro da vida pública”.  

Ao transformar a condenação em perseguição e prometer anistia ao pai e aos demais condenados, o filho de Jair Bolsonaro pede ao eleitor que aceite uma inversão: os responsáveis pela ruptura seriam vítimas; as instituições que protegeram a ordem constitucional, culpadas; a derrota eleitoral vira fraude; a investigação, perseguição; a condenação judicial, prova de que o líder enfrenta o “sistema”.  

Bolsonaro pai, condenado e inelegível, permanece no centro do projeto. Bolsonaro filho oferece a candidatura para trazê-lo de volta à vida política. 

O título ”Traidor da Constituição é traidor da Pátria” recupera a advertência de Ulysses Guimarães na promulgação da Constituição Cidadã. Flávio Bolsonaro promete alterar a Carta, indicar cinco ministros ao STF, e chegou a falar em “usar a força” se o Judiciário questionasse um indulto ao pai.  

Não se trata de afirmar que toda reforma constitucional seja golpe. Uma democracia permite mudanças. O perigo está em usar a maioria parlamentar para remover obstáculos à impunidade e concentrar poder no mesmo grupo que tentou permanecer no governo depois de perder a eleição. 

Rachadinha e “Dark Horse” 

É longa a biografia manchada de crimes de Flávio Bolsonaro. Destacamos uma já quase esquecida. Outra bem recente.  

Na reunião ministerial de 22 de abril de 2020, o então........

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