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Um Orçamento do Estado sem história… que bom!

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tuesday

O ministro das Finanças apresentou a proposta de Orçamento do Estado para 2027 no dia 8 de outubro, antes do prazo previsto na lei. A crítica da oposição não se fez esperar, afirmando que este era um orçamento “que não tem nenhuma história”. E que bom se não houver história nem drama em torno do orçamento e da sua aprovação! O Orçamento do Estado é um documento técnico de gestão financeira em que o governo indica as suas perspetivas de receitas e despesas para o ano seguinte, bem como os investimentos que pretende realizar em cada área da administração pública, face aos desafios e oportunidades do país. Não deve ser o documento em que o Governo propõe novas políticas, dramatizando o processo orçamental e complicando a decisão parlamentar. Sem tempo cuidado de discussão e num contexto de um governo em minoria parlamentar, essas novas propostas legislativas são muitas vezes alteradas sem consistência nas discussões e votações na especialidade.

Acima de tudo, o orçamento deve ser um exercício cuidado de gestão financeira e decisão de opções de investimentos e gastos. E é isso que este orçamento faz de forma sensata e equilibrada. Se o Partido Socialista for também sensato, viabilizará o orçamento e não apresentará propostas de alteração, as quais precisariam do Chega para serem aprovadas e dramatizariam a discussão orçamental. Os partidos populistas conseguem sempre gritar mais alto que os outros e dramatizar o discurso para ganhar a atenção. O país e a democracia ganham em esvaziar essa estratégia.

Quanto a este orçamento, deixem-me ser claro face ao contexto em que é apresentado. A atual situação política, económica e financeira internacional é extremamente desafiante e perigosa. A democracia está a ser posta em causa, a desinformação é galopante, os mercados financeiros estão num momento de perigosa exuberância, e o nível de conflitos geopolíticos está no seu máximo em mais de 30 anos. As taxas de juro internacionais estão a subir, o que reflete, por um lado, as perspetivas de inflação, por outro o risco das dívidas (privadas e soberanas) e, por fim, a procura de capital para alimentar........

© Renascença